Neste 23 de junho, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, uma data criada para reconhecer a contribuição das mulheres para o desenvolvimento da engenharia, da ciência e da tecnologia, além de incentivar a participação feminina em um setor historicamente ocupado por homens.

A iniciativa foi criada em 2014 pela Women's Engineering Society (WES), organização fundada no Reino Unido em 1919. A entidade surgiu após a Primeira Guerra Mundial, quando mulheres que haviam assumido funções técnicas e de engenharia durante o conflito passaram a defender a permanência feminina nessas atividades mesmo após o retorno dos homens ao mercado de trabalho.

Desde então, a WES atua para apoiar, inspirar e fortalecer a presença de mulheres nas áreas técnicas, científicas e de liderança. Ao longo dos anos, a data ganhou reconhecimento internacional e passou a ser celebrada por instituições, empresas e entidades de classe em diversos países.

Mais do que uma homenagem, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia convida à reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda precisam ser superados. Embora a presença feminina tenha crescido significativamente nas últimas décadas, a participação das mulheres na engenharia ainda está longe da igualdade.

De acordo com dados do Sistema Confea/Crea, as mulheres representam cerca de 20% dos profissionais registrados nas áreas da engenharia, agronomia e geociências. Em alguns segmentos, como Engenharia Ambiental, Química e de Produção, a presença feminina é mais expressiva. No entanto, especialidades como Engenharia Mecânica, Elétrica e Civil ainda apresentam predominância masculina.

Engenheiras que marcaram a historia.

Apesar dos desafios, a história da engenharia é marcada por mulheres que abriram caminhos e transformaram a profissão com talento, dedicação e competência técnica.

Engenheiras

Entre elas está Emily Roebling, que teve papel decisivo na construção da Ponte do Brooklyn, nos Estados Unidos. Após o adoecimento de seu marido, responsável pela obra, ela assumiu funções técnicas e administrativas fundamentais para a conclusão de um dos mais importantes projetos de engenharia do século XIX.

No Brasil, Bertha Lutz tornou-se referência na luta pela participação feminina na ciência e na educação. Bióloga, pesquisadora e defensora dos direitos das mulheres, ela contribuiu para ampliar o acesso feminino ao ensino superior e às carreiras técnicas, ajudando a construir as bases para uma presença mais significativa das mulheres em diferentes áreas profissionais.

Outro nome que merece destaque é o de Enedina Alves Marques, pioneira na engenharia brasileira. Primeira engenheira negra do país e primeira mulher formada em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1945, Enedina rompeu barreiras sociais, raciais e de gênero em uma época em que a presença feminina nas universidades era extremamente reduzida.

Ao longo de sua trajetória profissional, participou de importantes obras de infraestrutura e teve atuação relevante no Plano Hidrelétrico do Paraná. Sua história permanece como símbolo de perseverança, excelência profissional e compromisso com o desenvolvimento do país, inspirando novas gerações de engenheiras.

A presença feminina na engenharia vai além da representatividade. Estudos apontam que equipes mais diversas tendem a apresentar melhores resultados na resolução de problemas, na inovação e na tomada de decisões. Diferentes experiências e perspectivas contribuem para soluções mais criativas, eficientes e sustentáveis, características cada vez mais valorizadas em um mercado em constante transformação.

Nesse contexto, ampliar a participação das mulheres nas áreas técnicas não é apenas uma questão de equidade, mas também uma estratégia para fortalecer o desenvolvimento tecnológico e impulsionar a inovação.

Neste Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, a data celebra as profissionais que ajudaram a construir a história da engenharia e reconhece aquelas que, diariamente, contribuem para transformar cidades, desenvolver tecnologias, executar grandes obras e encontrar soluções para os desafios da sociedade.

O reconhecimento dessas trajetórias reforça a importância de continuar promovendo oportunidades, valorizando talentos e incentivando meninas e mulheres a acreditarem que a engenharia também é um espaço para elas.

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